Obedecer é Melhor do que Sacrificar

Porém Samuel disse: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. 1 Samuel 15:22.

Quando Saul é levantado como rei de Israel, o escritor de narra uma instabilidade do povo carregada em suas raízes desde o período dos juízes, o profeta Samuel de idade avançada, não pode suceder o cargo aos seus filhos, pois os mesmos estão corrompidos com o pecado (1 Sm 8.2,3), sendo assim, o povo percebe tal crise hereditária e exige um rei ao invés de um novo juiz, era notório que para eles o sistema dos juízes não funcionava mais, para que Israel pudesse prevalecer eles precisam de um governo monárquico, assim como as outras nações que os oprimiam tinham, era o avanço político se estabelecendo e Israel entrando dentro de um funil histórico e tendo que se adaptar ao “modelo constitucional da época”, contudo o ponto chave aqui não é tão somente a rejeição ao profeta Samuel (1 Sm 9.1 – 10.16) e sim a rejeição a vontade de Deus ou melhor dizendo a rejeição ao próprio Deus. Parece que a narrativa histórica demonstra um povo valorizando a aparência externa de Saul (1 Sm 9.2).[2]

A preocupação do profeta Samuel é notória a mostrar ao povo que eles tinham rejeitado o Senhor valorizando a aparência de Saul e não se atentando ao seu coração. Até mesmo no dia de sua coroação Saul se mostra como alguém que não tinha aprovação divina (c.f. 1 Sm 10.17-27). Contudo, com a grande ressonância da vitória de Saul sobre Naás, o amonita, fez com que a solidificasse sua autoridade como rei de Israel aos olhos do povo. Por consequência, Gilgal, a nação se reuniu a favor do líder (cap. 11).

Mesmo com seu alarmante início (cap. 11), Saul sabia da necessidade de honrar a aliança mosaica (cap. 12), contudo suas más escolhas fizeram com que seu reinado declinasse (cap. 13 – 15).

Um fato interessante de acordo com a insistência do profeta Samuel em alertar o povo junto de chuvas e trovões levando ameaçar a colheita do trigo, sendo assim o povo clamou: A todos os nossos pecados temos acrescentado este mal, de pedirmos para nós um rei (1 Sm 12.19).

A narrativa demonstra de forma genérica que o podido de Israel aconteceu dentro de um momento errôneo e suas motivações não foram das melhores. “Saul era da tribo de Benjamim, não de Judá, a tribo messiânica prometida (Gn 49.10) ”. Sem contar que Deus esperava um descendente da décima geração do filho de Judá, Perez (cf. Rt 4.18-22), mas o povo não compreendia tais fatos. 

Por fim, a rejeição de Saul se deu a partir do momento em que o mesmo falhou em exterminar completamente os amalequitas (Êx 17.8-16), sendo assim Jeová o rejeitou como rei. A repreensão de Samuel a Saul em (1 Sm 15.22), o profeta não quer expressar falta de consideração ou importância em sacrifícios, mas que sacrifícios são aceitáveis de acordo com a obediência e devoção ao Senhor (v. sl. 15; Is 1.11-17; Os 6.6; Am 5.21-27; Mq 6.6-8). A obediência é a finalidade principal nessa passagem, a rebeldia e teimosia citada por Samuel é uma manifestação do fracasso em se conformar com a verdade (1 Sm 15.22,23). Esse trecho do verso 22 é clássico da bíblia sagrada, contudo, a obediência precisa vir antes e acima de todas as coisas. Esse é o legado de quem deseja servir e agradar o Senhor.

Nas palavras: “O obedecer é melhor do que o sacrificar”, o raciocínio ganha outra dimensão: não obstante aquilo que é agradável a Deus, somente a disposição mental é, em si mesma, algo bom; sem essa disposição, a oferta não é boa e não tem nenhum valor moral […]. A desobediência, a rebelião e confiança própria que dela resultam também são, portanto, essencialmente semelhantes e se encontram no mesmo patamar moral que a prática pecaminosa da feitiçaria, isto é, da “adivinhação a serviço de poderes demoníacos inimigos da piedade’ (Keil) e da idolatria.[3]

Quando se trata do caráter de Deus, sabe-se que o mesmo é imutável e não se pode alterar[4]. Sendo assim, quando se tratou de Saul, e a mudança de sua conduta, exigiu-se uma mudança nos planos divinos e seus propósitos para ele. Visto que toda jornada de Saul e o povo de Israel pode ter uma importância e coerência pedagógica, sendo que o povo negligenciou o tempo de Deus e o seu governo, e o tempo mostrou isso. Para que se mantenha a coerência dos atributos divinos, “o Senhor deve abençoar a obediência e castigar a desobediência”. Pois nele não há injustiça.

Referências

Carvalho, G. (27 de Abril de 2020). Atributos de Deus: Transcedentais . Fonte: Carvalho Teologico : https://carvalhoteologico.blogspot.com/

MacDonald, W. (2015). Comentário Bíblico Popular – Antigo Testamento . São Paulo: Mundo Cristão.

Yates, E. H. (2016). A Essência do Antigo Testamento . Rio de Janeiro : Central Gospel .

[1] Giovani Carvalho é graduado em Direito, pós-graduando em docência do ensino superior pela Faculdade Vale do Cricaré (FVC) e cursou Teologia livre pela CETADEB. É editor no blog Carvalho Teológico e membro da 1ª Igreja Assembleia de Deus em São Mateus – ES.

[2] Sem dúvida, o Senhor deseja ser, ele próprio, o Rei de Israel. Seu povo devia ser santo e diferente de todas as outras nações da terra. Entretanto, os Israelitas não quiseram ser diferentes; preferiram se conformar ao mundo. Samuel se entristeceu com o pedido, as o Senhor o instruiu a atendê-lo. Afinal, não rejeitaram ao profeta, mas, sim, ao Senhor. Ao atender o pedido do povo, Samuel devia protelar solenemente e explicar o direito do rei. O monarca enriqueceria a si mesmo à custa dos súditos, convocaria rapazes e moças para o serviço militar e doméstico e praticamente os transformaria em escravos. Deus havia previsto na lei que Israel teria reis (Dt 17:14-2), mas sua vontade perfeita era que ele próprio governasse seu povo (8:7; 12:12). As leis em Deuteronômio visavam da monarquia. MacDonald, W. (2015). Comentário Biblico Popular – Antigo Testamento . São Paulo: Mundo Cristão. P. 207,208.

[3] (15:13-35) Christian F. Erdmann, “The Books of Samuel”, in: Lange, Commentary on the holy Scriptures, Critical, Doctrinal and Homiletical, vol. III, p. 209. Apud. MacDonald, W. (2015). Comentário Biblico Popular – Antigo Testamento . São Paulo: Mundo Cristão. P. 207.

[4] Imutabilidade: O universo se encontra em constante transição, e o ser humano precisa estar também em mudança de acordo com suas necessidades, sendo assim o ser humano desenvolve o conhecimento e forma seu caráter. Deus não precisa de complementos, Ele é dotado de perfeição, por isso nele não há mudança, nem sombra de variação (Tg 1.17). Carvalho, G. (27 de Abril de 2020). Atributos de Deus: Transcendentais .

Por Carvalho Teologico : https://carvalhoteologico.blogspot.com