Atributos de Deus

A natureza moral de Deus são descrições de suas qualidades morais, ou seja, necessários à essência divina. Destacarei três desses atributos.

Santidade: Está aí um atributo que ecoa constantemente pelos profetas do AT, soa bastante no testemunho bíblico. Esse é o principal atributo pelo qual Deus deseja ser conhecido. Por meio do profeta Isaías no capitulo 43.3 Deus diz “Eu sou o Senhor o seu Deus, o Santo de Israel”. Tal atributo é tão constante que sua consonância aparece num só versículo três vezes: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos” (Is 6.3) (Williams, 2011, p. 54).

É sua santidade que o mantém absolutamente distinguido de Suas criaturas e consequentemente exaltado pela mesma, sendo assim, Deus é um ser separado da imoralidade e do pecado.

Rodmam Williams descreve por meio da experiência que Israel teve com Deus e mais especificamente na pessoa de Arão e Moisés o seguinte:

E significativo observar que quando Deus se declarou pessoalmente a Israel como Javé (o Senhor), a preparação para isso foi a revelação de sua santidade. Ele primeiro falou a Moisés de dentro da sarça ardente: “Não se aproxime. Tire as sandálias dos pés, pois o lugar em que você está é terra santa” (Ex 3.5). Só foi quando Moisés já estava consciente da santidade de Deus que Deus anunciou sua identidade pessoal (v. 13-15). Mais tarde, no monte Sinai, preparando-se para dar a Lei, “o SENHOR tinha descido […] todo o monte tremia violentamente” (19.18). Ninguém, exceto Moisés e seu irmão Arão, teve permissão de subir a montanha “para subir são SENHOR”, senão o Senhor os fulminaria (v. 24). Assim, todo o Israel ficou profunda e forçosamente impressionado com a santidade de Deus. Deus é um Deus pessoal, mas jamais deve ser tratado de maneiro negligente, pois ele é Deus extraordinário e santo[1]. 

O salmista afirma que Deus “não tem prazer na iniquidade” e que com Ele não habita o mal (Sl 5.4). Essa qualidade faz com que o Senhor nos mostre a segurança de que Ele não contém erros, equívocos e muito menos o pecado.

Amor: A revelação de Deus aos profetas e apóstolos é consistida de modo supremo, mas em Jesus Cristo, Ele é revelado como Deus de amor, “Deus é amor” (1Jo 4.8). Contudo, Deus é predominantemente um Ser de amor, amor é sua essência. O amor de Deus pela humanidade foi provado na entrega do seu Filho, “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3.16ª; 1 Jo 4.9, ARA; 2 Co 13.11; Ef 2.4,5).

No AT o amor de Deus é expressado brevemente por meio de sua escolha a Israel para ser o seu povo exclusivo, o Senhor os livra da escravidão do Egito. A motivação em escolher Israel não tem explicação há não ser o amor de Deus. A Escritura relata que o Senhor os chamou para ser “o seu tesouro pessoal” e para serem “mais numerosos do que outros povos” porque “o Senhor os amou” (Dt 7.6-8). Todas essas declarações de amor é Deus honrando a promessa que fez aos patriarcas.

O amor e o cuidado afetuoso de Deus por Israel é daí em diante apresentado de maneira bela e memorável. Mais tarde na história de Israel, Deus falou por meio do profeta Isaías: “Visto que você é precioso e honrado à vista, e porque eu o amo, darei homens em seu lugar, e nações em troca de sua vida” (Is 43.4). Por fim, uma das passagens mais tocantes fica em Oséias: “Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei o meu filho […]. Mas fui eu quem ensinou Efraim a andar, tomando-o nos braços […]. Eu os conduzi com laços de bondade humana e de amor” (11.1,3,4). Então o Senhor clamou em meio à idolatria e iminente julgamento de Israel: “Como posso desistir de você, Efraim? Como posso entrega-lo nas mãos de outros, Israel? (v.8)[2].

No NT, o amor de Deus se manifestado com maior intensidade na pessoa de Jesus Cristo, notemos nas passagens dos evangelhos que Jesus tem um amor especial por aquele que ele escolhe serem seus discípulos, João diz que o seu amor por aquele que estavam no mundo foi expresso até o fim (Jo 13.1). Jesus aprofundou esse amor dizendo que “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” (Jo 15.13), contudo não resume assim. O amor de Deus por meio do seu Filho não era somente pelos discípulos, mesmo que nenhum deles eram merecedores desse amor. O NT proclama que Cristo morreu por pecadores sem mérito: “Cristo morreu pelos ímpios […]. Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” (Rm 5.6,8), o Amor de Deus por meio de Jesus Cristo em grego é a famosa expressão que conhecemos como amor Ágape.

Justiça: Talvez a palavra mais popular em nosso dia a dia seja Justiça.

Segundo Aristoteles, a justiça é “dar uma pessoa aquilo que lhe é devido”. Esse “devido” está relacionado as questões éticas ou por uma ligação contratual e pré-estabelecido. Consequentemente, se uma pessoa receber uma penalidade maior do que a merece, tal pena se torna injusta. (Chaves, 2015, p. 92).

Contudo, Justiça está intrinsicamente ligado a verdade, Deus é Justiça, portanto não há nele inverdades, a Justiça de Deus expõe a injustiça do mau.

Deus como Deus da verdade é, um segundo lugar, o Deus de completa integridade. Por ser a própria fonte da verdade, não pode haver nele nada inverídico. Ele é verdadeiro em seu ser, atos e palavras; não há absolutamente nenhum engano nem falsidade. O que se descobre em sua revelação geral é verdade, ainda que muitas pessoas o suprimiam. Além disso, o que ele estabelece em sua revelação especial por meio de sua palavra é verdade: “[…] então o povo saberá que eu dizia a verdade” (Sl 141.6, NTLH). Deus nada faz que seja falso; uma mentira é impossível para sua natureza. “Deus não é homem para que minta” (Nm 23.19) de novo: “Seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso” (Rm 3.4). Com Deus não há dissimulação, não há encobrimento da verdade, não há declarações abrandadas nem declarações exageradas; há integridade total em tudo[3].

Vemos acima a importância do caráter de Deus em relação a ele ser essencialmente A Verdade, contudo com a ilibação do seu real caráter, vemos que o atributo de Justiça que Deus exerce é perfeito.

Outra essência importante é a misericórdia, que intimamente se relaciona com a justiça, mesmo sendo elementos distintos ou até mesmo confusas em suas comparações. “A misericórdia ocorre quando aquele que errou recebe uma punição menor do que merecia ou uma recompensa maior do que lhe era devida”. (Chaves, 2015, p. 92).

Deus tempera Sua justiça com misericórdia. A graça de Deus é nitidamente uma expressão de sua misericórdia. Deus é bondoso conosco, pois Ele pode reter o castigo que merecemos e quando recompensa nossa obediência, sendo assim, é fato que, nossa obrigação é obedece-lo, pois é sabido que não há mérito em nós e não merecemos recompensa alguma. “Com Deus, a misericórdia é sempre voluntária. Ele nunca tem a obrigação de ser misericordioso. ” (Chaves, 2015, p. 93).
 

Quando Deus é justo, significa que Ele está fazendo o que é reto. Lembremo-nos da pergunta retórica do patriarca Abraão: Não faria justiça o Juiz de toda a terra? (Gn 18.25). Em similaridade com o apóstolo Paulo: Que diremos, pois? Que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma! (Rm 9.14).

Referências

Chaves, G. V. (Outubro de 2015). Temas Centrais da Fé Cristã . Uma introdução à doutrina bíblica, pp. 82,83.

Williams, J. R. (Julho de 2011). Teologia Sitemática. Uma perspectiva pentecostal, pp. 60,61.

[1] Williams, J. R. (Juljo de 2011). Teologia Sitemática. Uma perspectiva pentecostal, p. 51.

[2] Williams, J. R. (Julho de 2011). Teologia Sitemática. Uma perspectiva pentecostal, p. 54.

[3] Williams, J. R. (Julho de 2011). Teologia Sitemática. Uma perspectiva pentecostal, p. 54

Por  Carvalho Teológico https://carvalhoteologico.blogspot.com/?m=1